Contabilidade - Ferramenta de Gestão-Fabrício A. Oliveira

Publicado em 05/06/2014

“PAGO MEU CONTADOR PARA QUE ELE TRABALHE PARA O FISCO!”

Todos nós, profissionais de contabilidade, já ouvimos isso de clientes. Não é uma inverdade se compararmos o tempo alocado pela equipe em tarefas de construção de informação para o Fisco.

Atualmente existe um sem número de informações e declarações, única e exclusivamente para deleito dos agentes públicos. Posso afirmar com clareza que o que ocorre é uma inversão de valores, uma atitude contraproducente que induz empresários a manter caras estruturas de apuração de declarações e tributos, com o único fim de agigantar mais e mais a eficiência do governo em cobrar impostos. O custo dessa burocracia espreme as margens de lucro, inviabiliza a empresa e afasta investidores.

Segundo dados da Federação das Indústrias Paulista (FIESP) e do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), em matéria da Folha de São Paulo o custo da burocracia é de aproximadamente R$ 46,3 bilhões, na comparação com os gastos com esse item em 12 outros países. São 63 tributos federais, estaduais e municipais e na observância de 3.200 normas, 56 mil artigos, 34 mil parágrafos, 24 mil incisos e 10 mil alíneas voltadas à arrecadação de impostos no Brasil.

Se todo esse esforço fosse concentrado em elaborar um sistema de gestão à serviço da tomada de decisões da organização, certamente empresários e diretores teriam maior competitividade e desempenho em seus negócios.

O remédio para contrabalancear tal mazela seria a utilização dos números contábeis de maneira proativa. A empresa precisa ter autonomia na apuração de seus resultados - o tão sonhado resultado gerencial. A contabilidade atual não pode ficar restrita em atender às obrigações do fisco, deve sempre buscar interagir com a empresa no sentido de criar um sistema de gestão estratégico. Esse sistema deve compreender todos os níveis da organização, possibilitando atribuir indicadores de desempenho da operação, integrar subsistemas departamentais e gerar informação em tempo real para a tomada de decisão.

Poucos profissionais de outras ciências possuem uma visão sistêmica apurada como a dos profissionais contábeis, que por força do ofício precisam conhecer toda a cadeia de processos e sistemas de seu cliente. Contudo nem sempre participam da construção desse sistema, ficando a empresa com uma visão “míope” e distorcida quanto à apuração precisa dos resultados do negócio.

Ainda hoje vemos empresários medindo seus negócios por cálculos inexatos, analisando apenas indicadores de faturamento, custos e lucratividade – muitos desconhecem  indicadores e índices que traduzem a eficiência de seus métodos de gestão, como taxas de retorno do investimento, indicadores de desempenho de processos, de pessoas dentre outros.

Profissionais de contabilidade e empresários, não obstantes as exigências fiscais devem concentrar seus esforços para dentro da organização, imbuídos de desenvolverem o diálogo estratégico que irá engajar as pessoas no atingimento das metas coletivas. Devem dedicar seu tempo medindo e controlando os indicadores organizacionais em três níveis: Sociais, Econômicos e Ambientais – o necessário e sonhado triple Bottom Line, “people, profit and planet”.

Uma vez funcional o sistema de gestão, as informações fiscais, trabalhistas e contábeis estarão automaticamente prontas, permitindo que empresários e profissionais de contabilidade possam dedicar seus esforços àquilo que realmente agregará valor à organização. Caso contrário ambos continuarão nesse triste paradoxo míope e degradante, de ter o Fisco como um sócio improdutivo e canastrão que suga a eficiência da empresa e a qualidade dos serviços contábeis.


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