Uma explicação biológica para desafios empresariais. Por: Fabrício Andreão Oliveira

Publicado em 05/11/2013

Assim como qualquer ser vivo as empresas possuem um clico de vida. Este ciclo de vida será definido com base em sua competência de se reinventar e se adaptar ao mercado em constante mudança.

Em ambientes onde competidores semelhantes e no mesmo seguimento disputam os mesmos recursos (produtos, cliente, fornecedores, funcionários, tecnologias e outros) a cooperação dá lugar à competição, e é nesse momento que a biologia vem explicar em parte os motivos pelos quais muitas empresas passam por dificuldades.

A competição leva essas empresas a se digladiarem, a tal ponto que aqueles que não conseguem evoluir e se diferenciar dos demais acabam por mudar de seguimento, serem incorporados pelos maiores ou até a fecharem as portas.

Mas por que isso acontece? Como a biologia nos ensina, a competição existe desde o aparecimento da vida na terra, e durante milhões de anos isso ocorreu sem qualquer estratégia. Devido ao acaso e às leis naturais da probabilidade seres unicelulares progrediram, e em determinado momento serviram de fonte de vida para seres mais complexos que deles evoluíram. Em função da convivência de espécies diversas a cooperação acabou por ocorrer, permitindo que os competidores encontrassem uma maneira de coexistência pacífica, permitida pela evolução natural das espécies assim como deduziu Darwin.

Bruce Henderson, citado por Idalberto Chiavenato e Arão Sapiro (1), conta que o pai da biologia matemática G.F. Gause, ao redor de 1934, fez experiências nas quais colocava colônias de animais microscópicos (protozoários) do mesmo gênero em um frasco com certa quantidade de nutrientes. Se os animais fossem de espécies diferentes, eles conseguiam sobreviver e continuar vivos em conjunto. Se fossem da mesma espécie, não conseguiam. Essa observação conduziu ao Princípio de Gause da Exclusão Competitiva (processo de competição interespecífica que acontece quando duas espécies diferentes habitam em um mesmo ambiente ou em nichos muito semelhantes).

Conforme o princípio de Gause, duas espécies que conseguem seu sustento de maneira idêntica não podem coexistir por muito tempo. Isso ocorre porque os recursos essenciais pelos quais elas competem, mais cedo ou mais tarde vão começar a saturar obrigando aqueles mais adaptados a prevalecer deslocando os demais.

Com as empresas não é diferente. Se prestarmos atenção no cenário empresarial veremos isso acontecendo em muitos seguimentos, como ocorre na indústria de commodities, na indústria automobilística, mercado financeiro, bebidas, eletro eletrônicos etc.. Devido ao alto grau de maturidade em gestão estratégica obtido por essas organizações, não existem mais tantos competidores, bem como são poucos os que se atrevem a aventurar-se nesses seguimentos.

Na ausência de influências estratégicas onde sejam capazes de se adaptar, reinventar a si e a seus produtos gerando uma vantagem competitiva que a destaque perante os competidores de seu nicho, certamente terão essas empresas chagado ao fim de seu ciclo de vida.

Se sua organização está competindo pelos mesmos recursos essenciais é hora de pensar estrategicamente e evoluir. É necessário desenvolver conhecimento de mercado, criar habilidade de percepção estratégica e planejar. Somente através do planejamento estratégico a organização será capaz de se diferenciar dos demais concorrentes. Desenvolver o raciocínio estratégico envolve pensar sempre de forma inovadora, mas somente planejar não adianta, é necessário agir e decidir estrategicamente.

“Em época de crise, uns choram e outros vendem lenços”.

1. Chivenato, Idalberto Sapiro. Planejamento Estratégico Fundamentos e Aplicações. Rio de Janeiro : Elsever, 2009.


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