Como pilotar seu negócio - Por Fabrício Andreão Oliveira

Publicado em 15/08/2013

Imagine-se entrando na cabine de um moderno avião a jato onde houvesse apenas um único instrumento. Como você se sentiria após a seguinte conversa com o piloto?

P: Não imaginei que você pilotasse o avião com um único instrumento. O que ele mede?

R: A velocidade do ar. Estou controlando rigorosamente a velocidade do ar neste voo.

P: Ótimo. A velocidade do ar deve ser importante. Mas a altitude? Um altímetro não ajudaria?

R: Aprendi a controlar a altitude nos últimos voos e já sou um mestre nisso. Agora tenho que prestar atenção na velocidade do ar.

P: Mas você não tem sequer um medidor de combustível. Não seria útil?

R: Claro; o combustível é importante, mas não consigo me concentrar em tantas coisas ao mesmo tempo. Por isso, neste voo a minha preocupação é com a velocidade do ar. Quando aprender a dominá-la tão bem quanto a altitude, vou me dedicar ao consumo de combustível nos próximos voos.

Após essa conversa você embarcaria nesse avião? Acredito que não!

Por mais exímio que seja o piloto você ficaria com medo de que o avião caísse por falta de combustível ou colidisse com uma montanha por falta de altitude.

Uma empresa é como um avião, para ser pilotado com eficiência o gestor deve conhecer seu papel e utilizar seu conhecimento técnico e sua liderança para que tudo ocorra bem. Mas somente habilidade técnica e liderança não bastam para que um bom piloto possa fazer seu trabalho, é muito importante que sua aeronave (organização) possua bons instrumentos de navegação.

Não raras vezes observamos executivos e gestores perdidos entre execução e gestão dentro de uma empresa, por dedicarem muito tempo a tarefas e retrabalhos que na maioria das vezes não deveriam competir a eles.

Isso ocorre com maior frequência em organizações onde o gestor perde o foco por desconhecer ou por não possuir os indicadores de resultado de sua empresa. Em consequência a isso ele não identifica as tarefas que deve executar e que de fato agregam valor ao negócio, entrando em um paradoxo no qual ele se observa improdutivo e perdido; os resultados parecem nunca melhorar e ele perde a liderança e o controle dos processos da organização.

Uma empresa deve ter indicadores mínimos de eficiência de seus resultados e deve utilizá-los como ferramentas para a tomada de decisões.

É muito comum, também, observar executivos tomando decisões baseadas em indicadores meramente financeiros, como índices de lucratividade, EBITDA, faturamento e custo – desconhecendo totalmente outros importantes resultados da organização. Fatores como satisfação de clientes e colaboradores, produtividade, retorno de investimentos, melhoria dos fatores organizacionais e demais indicadores são desconhecidos ou negligenciados a todo tempo.

Para que o gestor possa de fato pilotar sua empresa com eficiência ele precisa construir seu painel de instrumentos, identificar quais os principais indicadores financeiros e não financeiros que realmente sejam importantes e estejam alinhados com a estratégia da empresa. Dessa forma ele poderá agir de maneira produtiva e focada no que realmente é prioritário e emergencial, isso aumentará seu poder de análise e decisão, garantirá o registro histórico de resultados para o aprimoramento das metas e dará suporte ao amadurecimento da empresa e de seus colaboradores em métodos gestão.

O sistema de gestão de uma empresa é o painel de instrumentos do gestor. Elaborar, monitorar e controlar esse sistema de gestão é condição para que uma organização cresça e prospere. Mas se sua organização não possui um sistema de gestão que possibilite ao gestor o acompanhamento regular dos resultados da empresa, é hora de se preocupar em criá-lo. Pense nisso!


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